Vagando em Paris

2006-02-28

propaganda gratuita

o rodrigo eh um cara que em geral voce nao deve acreditar. quando ele
te contar de algo bizroo e longiquo chamado guerra de camelos,
desconfie que saiu da imaginacao fertil dele. quando te contar de uma
republica independente monastica, pense se ela nao existe somente no
blog dele. quando te descrever a historia da bandeir dadaista da
pomerania, cuidado, talvez so metade da historia faca sentido, para
que o google possa parecer confirmar a mentira total.

mas ele escreveu dois posts falando sobre experiencias aue eu mesmo
vivi e concordo integralmente.
nao deixem meu ultimo posts apressado, fruto de um cansaco e falta de
saudades, ofuscar o que foi uma viagem indescritivel sim.

os dois ultimos posts dele, faco delas minhas palavras

sobre uma viagem e sobre a viagem toda

um canceriano sem lar II

Dizem que as viagens servem para testarmos nossos limites - eu descobri o meu.
Depois de 20 noites dormindo em albergues, 24 dias viajando, 30 dias
me sentindo sem casa, 45 dias sem abracar a fernanda, 166 dias sem ver
a familia e 173 sem programas com namorada, eu passei do meu. Na
verdade no trem pra istambul eu ja tinha a sensacao de "que que eu to
fazendo aqui", e ao chegar em milao ja tava rodando na reserva fazia
tempo.

Alguns mamiferos superiores (e outros nem tanto assim) tem como parte
de seu ciclo vital uma busca por novos lugares, exploracao de
possiveis locais onde o ninho seja mais seguro ou a comida mais farta,
no qual ao fim desse ciclo ele deve voltar para seu ponto de partida.
Depois de certo limite de tempo o corpo vai percebendo que nao ha
nenhum estabilizacao nos periodos entre as funcoes do corpo, as horas
de comer, dormir e andar sempre ativas, o consciente sempre ativo,
explorando, atento. Em determinado ponto ele puxa a cordinha que
significa que ele provavelmente esta eh perdido, rodando em circulos e
que o polo sul deve ser do outro lado e todos os hormonios
responsaveis crem para a corrente sanguinea, felizes de trabalharem. O
coracao bate naquele ritmo duro, forte e constante, de quando a
adrenalina vem te dizer que algo esta errado, mas o corpo nao reage a
altura, nao luta nem foge. O mesmo paradoxo nos segundo que se seguem
a um assalto no qual voce nao teve muita reacao, a mesma quando voce
doa sangue e sangra por um tempao sem justificativa compreensivel
nesse nivel profundo e popular. As celulas cochicham entre si,
reclamam baixinho, nenhuma entendendo direito o que se passa naquele
governo central que eh o cerebro.

Aterrisei em milao com a revelacao de que ninguem naquela cidade
inteira dava a minima importancia para onde eu ia dormir naquela
noite. dormi ruminando, oque que estou fazendo aqui, e acordei
entendendo. abandonei uma noite de albergue e fui direto a turim no
primeiro trem, que afinal era a unica coisa que eu vim fazer na
italia. decidi voltar pra casa (ou qualquer coisa parecida) mais cedo
e ia a paris o mais rapido possivel. Sairia inclusive mais barato do
que tres dias de viagem e comida...

Me encontrei com um designer de usabilidade. conversamos umas duas
horas sobre interatividade, usabilidade, trabalho. Eu me senti
tranquilo, diferente de quando estava em londres. Uma dessas poucas e
divertidas situacoes awkward, mais para o outro que para voce, que no
fundo acho bem divertidas. Ele nao entendendo exatamente o que aquele
jovem estava fazendo la, eu simplesmente conversando. Nao tinha
perguntas especificas, talvez esse tenha sido a parte errada do
approach: eu tinha respostas demais as minhas proprias perguntas,
queria conversar, verbo intransitivo, nao ter respostas exatas. Ele
falou sobre usabilidade aplicada a tratamento publico de diabetes
(engracado na IDEO eu ouvi sobre design interativo aplicado ao
processo legislatorio da finlandia, eu vou pensando em dvds e
telefones e eles falam sobre servicos e sistemas muito maiores-
interessante), ele falou sobre a historia de turim (se sentindo um
tanto desconfortavel, eu certamente nao era a compania que ele
preferia ter no almoco). Guardei uma frase. Todo mundo se acha
importante, e ele no fundo falava de mudar o mundo por design,
melhorar tudo por usabilidade e perguntei se nao era isso o que os
todo mundo tentou faz tanto tempo.

"yes, but le corbusier didn't listen to people"

* * *

nao consegui o primeiro trem para paris, peguei o da manha seguinte.
estou aqui na ensci. fazendo as malas.

2006-02-27

um canceriano sem lar I

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH

(segue)

2006-02-23

saındo pra ıstambul

estamos ındo pra ıstambul. a capadocıa foı um desses lugare sbonıtos
de ver, mas a vıagem foı tudo menos thrıllıng. bonıto como o homem
cava buracos nas rochas. vımos ıgrejas belas esculpıdas tentando
ımıtar colunas romanas ınuteıs, ja que a proprıa pedra sustentava a
estrutura. me lembrou dos arquıtetos dos anos setenta que pregavam o
fım da lınha reta tao onıpresentes em nosso cotıdıano. por uma casa
maıs aredondada, em formatos hexagonaıs ou somente blobs generıcos.
anos depoıs com op advento da tecnologıa dıgıtal os arquıtetos podıam
e fızeram mılhares de projetos de museus espalhados pelo mundo, onde o
desıgner cria o ameboıde que quıser e o computador consegue calcular
todos os trıangulozınhos para deıxa-o em pe. a quer saber, eu vı
cıdades inteıras com formatos de blobs. ou cavernas como costumavamos
chamar ısso. e saı com uma enorme necessıdade da lınha reta. essa
nossa ınvencao de colocar ordem no mundo, de dızer a natureza que quem
mqndq somos nos, essq tentatıva de ajeıtar nossas vıdas e tracar
nossos detsınos enretabndo nossas casas. ah que tranquılo e
confortavel e o angulo de noventa graus.

nao era o que dızıam ha trınta anos atras. talvez a culpa nao seja dos
angulos. como a culpa nao era do estadıo. a fachada exterıor das
ıgrejas da capadocıa sao cones ou cogumelos que cabem em fılmes de
fıccao cıentıfıca, o oposto sımetrıco do estadıo de hıtler em berlım,
onde as perpendıculares de concreto lembram a natureza quem eh que
manda.

teve um lıvro que lı que descrevuıa um planeta, quarto a partır do
sol, onde as pessoas eram ınfelızes. havıam solucoes para o problema
mas tıodas envolvıam mudar de lugar grandes quantıdades de pedacos de
papel verde o que era ıronıco poıs nao eram os pedacos de papel que
estavam ınfelızes...

2006-02-22

capadocıa

prımeıro o teclado turco tem doıs i. um sem ponto, o ı, pronuncıado
como o u de duh e o outro com ponto noss querıdo e conhecıdo i. no
teclado o ı esta no lugar do nosso velho i entao os meus dedos nem vem
a dıferenca. talvez saıa como y talvez saıa como um negocıo em chınes.
fıcq feıo como i sem ponto mesmo assım. e aında ano sareı totalmente
dos teclados franceses que ınvertem a com q.

a capadocıa eh bonıta sım. o dıa perdeu um pouco do charme porque
estavamos em um tour com um monte de coreanas e um japones maluco.
nada contra os eırentaıs, mas o rıtmo do tour nao era necessarıamente
o nosso entao fıca chato. e nos obrıgam a vısıtar um alojınha de onıx
se quısermos pegar o almoco. rodızıo alıas e eh uma delıcıa. comemos e
dormımos como nunca.

exıstem alguns lugares unıcos, que surgem por acaso e pela
ımprobabılıdade de um monte da fatores. veneza eh o maıs facıl.
meteora outro. a capdocıa toda vem de uma pedra, o tuff, que tem a
proprıedade de estar no ponto certo entre resıstencıa e maleabılıdade
que permıtıu que todas as cıvılızacoes que aquı passaram, hıtıtas,
romanos, crıstaos, greos e turcos, fossem cavando um buraco a maıs,
uma sala, um corredor. e o resultado sao algumas muıtas cıdades e
ıgrajas eculpıdas claustrofobıcas na pedra.

mas bom mesmo foı a guıa deıxar a gente se perder sozınho por vınte
mınutos na cıdade. eu e rodrıgo que me contagıou com a manıa dele por
labırıntos parecıamos num sonho de cıranca num grande labırınto
trıdımensıonal de buracos e escadas. ganhou o dıa.

2006-02-20

nas terras dos kebabs

hoje foi um dia melhor em istambul. fugimos das atracoes turisticas
com precos extorsivos e fomos andar pela cidade. de ontem pra hoje
entrei em nove mesquitas, vi duas oracoes islamicas, andei por
diversos bazares, nao gastei quase nada e comi um ravioli turco com
iogurte pra poder variar um pouco do kebab.

descobri que as oracoes muculmanas sao temperadas por silencios. que a
chamada para a reza em istambul, cidade de duzentas mesquitas, e uma
sinfonia polifonica, cada minarete tocando um grito de dor do alcorao.
descobri que os bairros pobres de istambul se misturam com o resto,
labirintos interessantes mais pelo charme do caos que pelos predios.
descobri que estar do outro lado do mundo nao parece diferente de
estar no saara. mesma pedra, mesma gravidade, mesmo burburinho, mesmos
anuncios de shampoo. poderia me visualizar estando em qualquer lugar
do mundo hoje. vendo as pedras de perto, as da muralha do palacio
topikapi ou da china. ervas daninhas do machu pichu. todo lugar do
mundo tem ervas daninhas, propaganda de cigarro, tudo. muda a lingua.
fica uma enorme sensacao de o que estou fazendo aqui. fica um buraco
de ver o mundo e nao voltar para lugar algum, nao contar a ela. sabe
as vezes eh maio pointless essas semanas demais. faltam mais duas.
nunca fiquei tanto tempo assim sem casa.

depois de amanha vou a capadocia afinal. depois volto a berlin e pego
um aviao para a italia, pra poder dizer ao paulo que visitei gente
importante. nao vou visitar a fabrica-chega de escolas um pouco.
depois mais um fim de semana em paris, resolvendo as ultimas
pendencias. depois, casa.

2006-02-17

istambul

eu nunca planejeimesmo morarpor tresdias em monasterios. monte athos
foi surgindo. so percebi a seriedade da coisa quando entrei no barco
eu rodrigo diogo e um monte de barbuudos d epreto. nunca fui num lugar
tao belo e tao serio. eles estavam realmente laple afe para fugir do
mundo. comer com eles, dormir no monasteiro. andar o dia todo e chegar
em outro. magico. sonho de u caminhante.

agora vou pra istambul. desculpa a falta de noticias, pai, mando elas
por aqui.tenho meia hora de internet a cada res dias, so leio os
emails da familia respondo um ou dois e escreevo no blog

beijo a todos
trem para istambul as oito

2006-02-13

monte athos

cheguei em ouranopolis. parece um balneario pequeno fechado para o
inverno. amanha de manha vou a penisula dos monges. parece que a
capadocia esta a -10 graus, talvez nao cortemos do nosso roteiro. o
rodrigo quer ver guerra de camelos na turquia. beijao a todo mundo.

2006-02-12

meteora

umfimdo mundo parece umfimdo mundo em qualquer lugar. foi a sensacao
que tive ao chegar de noite em kalambaka, cinco horas de atenas. casas
feias, hoteis com letreiros fosforecenrte. dali pra meteora seria o
dia seguinte.

os cristaos primitivos se espalharam pelo mundo em especial pela
europa sendo perseguidos onde fosse. e se trocavam cartas, as de pedro
em grego. quando os turcos invadem a grecia os cristaos do norte da
grecia encontram um lugar perfeito, inacessivel onde poderiam viver
empaz em seu culto particular. escalam pedras quase inacessiveis e no
topo dessas colunas cosntruiram tendas simples. Sabe-se la como
subiram, mas desciam de corda, e a usavam para icar comida, outros
monges e pedras para construcao de suas casas. e as construiram. com o
passar dos seculos, esses eremitas constroem verdadeiras fortalezas
instranponiveis, um pequeno mundo onde tinham seu culto as vezes
hortas e certamente uma vida tranquil;q longe dos problemas do mundo
exterior. Essas fortalezas formam hoje os monasterios de meteora. Se
elas hoje sao menos inacessiveis (nao faz umseculo construiram
escadas) sao ainda ilhas no tempo. Nao sao museus ou atracoes
turisticas, a vida monastica continua a pleno vapor, os monges
restringindo visitas de leigos a poucas horas em poucos lugares, vi
algo que nao senti sequer no vaticano: uma presenca de sentido.

A magica que os monges criaram continua viva, e o sentido que o levou
qo topo das pedras continua valendo: eles se protegem do mundo moderno
como os primeiros se protegiamdos romanos. As igrejas ortodoxas (e nao
so as de meteora) ainda matem nao so o estilo pictorico da idade
media, mas os cantos, a generosidade, a genuidade, a fe de quem entra
ainda parecem ignorar os muitos seculos que os separam da igreja
catolica.

Fomos ao primeiro monasterio de carro, dali descemos aos poucos,por
estradas e no fim por uma trilha. A montanha estava semi nevada mas o
sol aquecia tudo que o vento nao congelava. As pedras, criavam
desfiladeiros e abismos que so vi poucas vezes, na bahia e no coracao
do brasil. Mas esses de hoje tinham um vento seco e uma vegetacao que
nunca vi. E o mais importante, o vazio nos fazia lembrar que ainda
existem lugares sagrados, como se os onibus de japoneses que despejam
semi constantemente nao pudessem ser capazes de lembrar a quem la mora
que ha uma razao de estarmos aqui nessas pedras. Os desenhos das
paredes dao uma enfase ao pictorico e nao a representacao que so
iremos recompreender na arte moderna. Vi uns vasos gregos de antes de
cristo que poderiam ser de picasso, vi umas imagens de cristo que
poderiam ser dicavalcanti

Ortodoxos 3 x 0 Catolicos

amanha vou a tessalonica e de la entramos no monte athos,outro refugio
sagrado dos ortodoxos. dependendo da temperatura do deserto vamos
decidir se vamos a capadocia ou nao. tomara que sim, essa viagem sem
querer virou um roteiro pelos principios do cristianismo e de quebra o
inicio de nossa cultura moderna. os gregos,os romanos, entao os
cristaos, deles os ortodoxos, dela o renascimento catolico (o
renascimento Ortodoxos 3 x 1 Catolicos). Sem brincadeiras por favor,
nao vou voltar evangelizado. Nao mais do que sou belga ou de que somos
todos romanos.

pena que nao da pra mandar as fotos....

2006-02-10

atenas

estou em atenas, estou bem, cheguei vivo. Cidade bonita, mas curta. em
um dia ve-se tudo e sobra tempo. a acropole eh sim algo que vale a
pena ver. sabe, descobri que a arte de cosntruir na antiguidade era
sobre aprender a transportar pedras grandes (e corta-las). Tudo eh
isso, pedras grandes empilhadas. voce entende o resto, entende por que
elas se sustentam (afinal sao pedras grandes) entende como construir
(eh so empilhar como tijolinho) so nao entende isso. Como eles
cortavam e como eles empilhavam essas coisas...

A igreja ortodoxa eh fantastica. a missa uma cancao. estou curioso pra ver mais

meu tempo ja ta acabando, e esse pc nao tem usb pra mandar fotos.

beijao a todos

2006-02-09

berlin



Berlin nao eh sobre as ruas, ou sobre as pracas, ou sobre nada. Berlin nao tem uma historia arquitetonica de predios pois muito pouco sobreviveu em pe em 1945 e so foi restaurado o que valia realmente a pena guardar. Olhando de um lugar alto voce ve milhares de guindastes pairando sobre o que era o lado oriental, reconstruindo uma cidade que tenta se recuperar da divisao. Berlin nao vale a pena pelo que se ve, mas pelo que se conta, pelo que se lee. Cada esquina, cada placa, cada detalhe eh um memorial aos eventos que aconteceram na cidade mais fundamental para a historia do seculo XX. Uma cidade que nao tem vergonha daquele governante, que apesar de ter estado meros 12 anos, a media de vida de muitas moedas do brasil, foi o governo que sem duvida mais mudou e marcou o curso de nossa historia. Ele esta em todos os lugares, memoriais relembrando de cada acao, cada consequencia, cada morte causada. Nada que glorifique os anos 30-40, mas nada que tente minimiza-lo ou esquece-lo. E quando nao falamos dele, eh a historia da cidade simbolo da divisao do mundo, uma divisao as vezes ridicula (as aguas do rio pertenciam a um governo, a margem a outra, e muitas criancas nao morreram afogadas por que nessa terra de ninguem, quem ira pular na agua para salva-las?), as vezes somente hororrosa. Berlin eh historia, e eh uma otimista, com a alegria das obras que apagam as diferencas entre as alemanhas....

foi no estadio olympia que percebi. ali esta o nome do fuhrer na placa comemorativa da construcao. ali esta o nome do negro Owens, medalhista para a humilhacao dos nazistas, ali esta o sino com a suastica quebrada da guerra. Mas a razao do estadio, e a verdadeiro assunto eh a final da copa de 2006, ali em junho. O granito das paredes indiferente ao passado e ao futuro. Sabe, os predios nao tem culpa dos homens que os ocupam....

2006-02-06

Atelier design numerique

(serie de posts de videos que ja preparei antes de ir)

Esse foi meu trabalho final de projeto. O Projeto foi uma parceria com a japonesa Kenwood, uma firma nada inovadora que resolveuu recorrer a escolas de design para parte de uma pesquisa de tendencias para os proximos dez anos em termos tecnologicos. Eles estao presos nesses paradigmas deles: radios para carro, grandes aparelhos com neon azul para sua sala de estar e seu ultimo fiasco foi uma tentativa frustrada de fazer um iPod.

Frustrada nao por que o produto era especialmente ruim, nem era feio, mas todo o processo foi feito de forma a falhar. Kenwood decide, com alguns anos de atraso, que quer uma fatia desse novo mercado do ipod. Os engenheiros calculam o custo de um tocador de mp3 portatil de disco rigido, de tamanho e capacidade nao muito diferentes dos atuais da apple, e tentam reduzir o custo. DAo a caixinha preta par aum designer e pedem para ele fazer uma carinha inovativa e diferente, desde que nao tenha nem uma ideia nova, por que todo o resto ja foi feito. Sai um produto decentezinho. E logo depois a apple, lanca um novo aparelho, nao mais usando disco rigido, de um quinto da espessura dos anteriores. Por que? Por que ela é a unica empresa nao tentando fazer um aparelho parecido com um iPod, e porque o designer que decide o icone da tela, ou o outro que trabalha o botao participa da mesma equipe do engenheiro que vai calcular o peso e o preco do produto. Trabalho integrado.

E ironia do destino no mesmo dia que a kenwood nos mostrou o kenwood portatil, tambem nos mostrou algumas musicas japonesas. Mas essas foram trazidas em um ipod nano, que a designer da kenwood nao era besta de comprar o prorpio produto...

Mas enfim, eu fujo do assunto.

A ideia do Le Button era simples: acabar com o aparelho de som em si, e tornar qualquer objeto um suporte para musica. Voce anda com um botao que pode colar em qualquer lugar, e qualquer objeto da sua casa ou da rua torna-se um lugar para armazenar ou tocar musica... Depois do video fizemos uma demosntracao pratica, mas esse video eu ainda nao tenho...

2006-02-05

hoje tambem tem flor

estou em berlin, fomos a magdaburgo. frio como nunca vi. mas uma

calorosa recepcao do ricardo e do rodrigo e do novo amigo diogo... :)

2006-02-03

Roteiro da Viagem

Pra quem quise ficar me acompanhando de longe...

dia 5: chegada em berlim e vou pra magdaburgo ou um nome desses, ideia do rodrigo
ficar em berlim ate dia 8
dia 8 as 21h aviao pra atenas
dia 9 a noite ida pra delfos
10 passar o dia em delfos e a tarde onibus pra larissa
11 de larissa pra meteora: mosteiros em cima das pedras
12 larissa-tessalonica-ouranoupolis
13 chegada a tal 'republica de monte athos' de barquinho de manha cedo
chegamos no porto de daphne e de la andamos ate o mosteiro Dionysio
14 barco ate o mosteiro da grande Laure
15 ida a capital karyes
16 saida de monte athos e ida a tessalonica. Na madrugada onibus pra Istambul
17 18 e 19 Istambul
20 noite ida pra capadocia
21 22 23 Capadocia (cidades subterraneas e hotel em uma caverna)
24 Ida pra Istambul e de la aviao pra berlim
25 as seis da manha chegada em berlim
26 easyjet pra Milão
27 workshop na escola Ivrea Interactivity school/ Politecnica de Milao
28 ida pra turin
1 conversa com o pessoal do grupo Experientia
2 turim paris
3 4 5 Ultimos dias em paris
6 Volta pro rio!
7 de manha cedinho chegada no galeao. Saudades da mae do pai e do irmao. tambem dos amigos, das avos, do outro pai de mentirinha e de um canto meu. Mas saudade sobretudo, incomensuravel, é de tomar suco com a Fernanda.

2006-02-02

Pingos no i em moo-voo-ka

Eu passo muito tempo lendo vendo ou escutando sobre tecnologia, o que em qualquer definicao me poe claramente no conceito de nerd. Entao no comeco do ano eu obviamente assisti alguns highlights (por que estava com uma conexao ruim, se nao veria tudo) dos dois eventos mais importantes do ano, o Consumers electronics show e a Macworld Expo. Em determinado momento do discurso do Bill Gates ele comentou sobre assistir televisao enquanto chateia com seus amigos, o que me fez lembrar do velho muvuca. Como ando mexendo muito com video -descobri nele uma maneira excelente de expressao pois podemos falar tanto em pouco tempo e usando poucas palavras- resolvi brincar de editar aquele trecho com uns bonequinhos do muvuca e mandar para as pessoas que participaram do msr, que seriam as unicas a entender a piada. Mas pelos comentarios ditos, semi-ditos e nao ditos, acho que ficou um tom ruim no ar, como se eu tivesse feito uma provocacao de mal gosto ou algo assim. Talvez tenha sido paranoi minha mas pelo dito ou nao dito, resolvi deixar algumas coisas claras na vida.

Primeiro, hoje em dia eu concordo plenamente com o resultado do concurso. Foi um concurso que todo mundo se envolveu muito emocionalmente e foi isso que deu a magica ao momento, e sabiamos que 80% de nos sairiamos frustrados. No momento decidi que nao iria julgar o que pensava ate ter um afastamento o suficiente. O muvuca foi um conceito acertado, com umas conclusoes interessantes e uma execucao divertida, mas nada pratica. A apresentacao foi extremamente longa para o que deveria ser simplesmente um software simples, nos tentando mostrar aos outros tudo o que aprendemos sobre relacoes humanas na internet. Mas o produto nao comunica. Tentamos falar de relacoes, e como as pessoas conversam no chat quando o que vende um produto como esse é o efeito do cool: "uau, que divertido é fazer isso". Ele nao tem grande impacto no meu portfolio, devido a essa dificuldade em explica-lo. nao por que haja uma complexidade intrinsica, mas por erro nosso: um projeto conceitual nao é um produto, mas um argumento. E o muvuca nao se explica, nao diz pra que existe.

O XPerience, o projeto vencedor tinha esse fator Uau. Nos julgavamos ele pela sua forma: é um palm+celular+camera, um gadget faz tudo sem atrativos maiores. Mas o que a gente nao via na epoca é justamente que o que esta em jogo nao é o produto, mas o servico que ele oferece. Nos nao estavamos criando objetos, estavamos dizendo o que os objetos deviam ter. E o servico do xperience é uma serie de templates/wizards para voce criar videopodcasts "on the spot", algo que por varias vezes eu desejei ter na minha vivencia em paris. Tudo que o xperience oferece esta disponivel para voce se voce tem uma camera+um computador+internet+uma suite de edicao de video simples (como o iMovie) e uma forma rapida de publicar tudo na web (diremos, iWeb)+tempo pra ficar transferindo tudo de um lugar ao outro. A ideia de voce poder tratar suas imagens, editar o seu video, misturando fotos e narracao daquilo que voce acaba de viver e poder publicar na hora é extremamente interessante e atual. O fato de podermos descreve-lo com palavras que nem existiam na epoca, como podcasting, mobloggers ou citizen-journalism é so prova de sua atualidade. O fato de voce usar uma camera digital, um palm ou um celular para isso é completamente irrelevante: nao pense no produto, pense no servico que ele oferece.

Os outros projetos, todos tem sementes interessantes, e se encaixam em algum ponto da timeline tecnologica. O YouMe era uma serie de servicos online para "social-networking" uma palavra que se tornaria buzzword no ano seguinte, e por isso mesmo talvez nao fosse futuristico o bastante. O witwi era parecido, mas incluindo localizacao em tempo real, misture social networking com google local e voce tem uma serie de possibilidades interessantes sendo exploradas por um monte de gente hoje em dia. O google nao muito tempo depois comprou dodgeball.com um servico mais modesto mas com objetivos tao visionarios quanto a das meninas. Uma pena, tivessem sido elas eu teria tres amigas trabalhando em mountain view. E o iztmo, bem eles, eu nao sei. Para mim disparado o projeto mais disruptivo, tao disruptivo que ninguem sabia direito par aque servia. Um super aparelho musical, capaz de todo tipo de som e feito para colaboracao musical em tempo real com um monte de gente. O tipo de projeto que as pessoas passam, abrem os olhos, cutucam com uma varinha dizem uau e vao embora: sei la deixa o bicho quieto. Voces ja ouviram o ninjam.com? eles tem um podcast onde voce pode ouvir sessoes de jams colaborativos na rede...

O muvuca é um projeto pelo qual tenho muito carinho, e que se reduzido ao extremo sombras na frente do filme, pode ser uma solucao divertida para chat no cinema, mas outras solucoes, como misturar com conteudo de webcams, pode ser muito interessante tambem. Volta e meia me vejo sempre voltando a meus antigos projetos, fazendo releituras neles, atualizando. Afinal, se nao cuidamos de nossos bebes, quem mais vai?

enfim. E esse meu clipe de video o que voce esta dizendo? Cada palavra, cada frase do discurso de um CEO é em geral produto de uma serie de pesquisas, uma turma enorme de designers que filtram ideias de diversas fontes e que chegam a acordos. Sao ideias que um monte de designer de produto teve, um monte de estudantes confirmou, e muita gente boa trabalhou na executabilidade junto a fabricantes. Ao ouvir o bill eu senti como se de alguma forma, nos tivessemos participado, nem que fosse um minimo, dessa coletividade enorme. Como um votante feliz de ver seu partido ganhar, eu senti como se de alguma forma, fosse parte da equipe gigante dos bastidores.

So isso.

I found a new babe

da serie deixei pronto antes de ir


Esse é um podcast bem antigo, quando eu ainda estava em uma feliz lua de mel com a minha melhor companheira de todo dia na viagem. Nao, nao falo dela, falo da outra. A primeira é a melhor companheira sempre, de tudo na vida. Mas essa foi uma das coisas que mais me deixava feliz vivendo no dia a dia. Eu comecei esse video ainda em outubro acho, quando tinha acabado de leva-la da feira por 35 dinheiros e fui escutando essa musica no caminho de volta. Para voces terem uma ideia, foi um dos primeiros videos que fiz saindo da fase iMovie, e da pra ver pela qualidade de edicao. Por uma serie de razoes (entre elas ter perdido boa parte do trabalho, depois de ter colocado ate titulos e legendas comparando 35 euros em bilhetes de metro) eu nunca acabei. Achei que seria simpatico deixar aqui uma homenagem a ela, do jeito que o video ficou mesmo, com uma edicao simplesmente juntada...

cair na estrada com a pessoa mais fantastica do mundo

foi uma viagem que nao da para descrever os detalhes. os fatos e fotos voces estao tendo no flickr. aqui vai so um longo momento, ou a traducao literal de stream of thoughts....


update: me frustro muito ainda com video na web. apesar de parecer que ver videos na web ja nao é mais o inferno de players que era nao fazem muitos anos, as ferramentas de criacao de videos ainda nao evoluiram, oferecendo uma infinidade de formatos e codecs incompativeis. Com as companhias ainda disputando pelo formato video digital as coisas vao de mal a pior. A sony criou um formato bem esdruxulo e proprietario para o seu psp e a apple, nao contente em tornar o default do seus ipods videos o .mov que ela mesma inventou, adotou o M4A que é so um formato mp4 com outra extensao.

pra quem nao se interessa por essas besteiras (que bom) o formato que usei é o mp4, que agora todos os itunes devem abrir sem problema. Quicktimes mais antigos também, talvez...