Vagando em Paris

2005-12-11

ondjequistao


ondjequistao
Originally uploaded by Alexandre Van de Sande.
ok, volto ao assunto de coisas unicas que acontecem nessa

universidade. Eis que ao chegar, em um sabado, para trabalhar no meu

projeto encontro um grande yourt no meio do hall de recepcao. Um yourt

para quem nao sabe (como eu ate hoje sabado de manha por exemplo) é a

tenda tipica dos povos nomades das estepes da asia central.



Estava rolando uma exposicao sobre esses paises, ou os seis istoes da

asia central. Quem sabe dizer de cor? tente se lembrar antes de ler a

proxima frase: Afeganistao, Turcomenistao, Casaquistão, uzbequistao,

(vamos la, lembra dos outros?), Quirguistão e (esse é bom)

Tajiquistão. Nao, paquistao nao conta.



Alem de musica e comida rolou um filmezinho de graca. O filme foi dos

mais curiosos, chamava o anjo do ombro direito e se voce acha que vai

ve-lo um dia pode parar de ler esse post.



O filho nem tao prodigo assim retorna a sua vila natal pois sua mae

esta no leito de morte. Ao chegar, da logo uma reforma na casa e

compra uma nova porta por que a atual nao passa o caixao. Eis que foi

so um golpe da mae para ganhar uma porta nova e ela vai muito bem de

saude. dialogo memoravel



-com licenca seu pai ainda faz portas

-nao senhor ele morreu, mas eu trabalho nisso ainda

-eu comprei uma porta fazem dez anos. vim busca-la

-ah certo meu pai me falou, perai vou busca-la



Eis que todo mundo na cidade é meio golpista e bandido e na verdade

passaram a perna na velha tambem e descobrimos que tudo foi uma

armacao para fazer o filho voltar pra cidade, consertar a porta e dali

os credores pularem em cima da casa nova do rapaz. Determinado tempo

alguem aparece entregando uma crianca dizendo:



-toma teu filho

-voce toma isso! e comeca a porradaria



entao o rapaz se afunda em problemas, tenta roubar o prefeito, so se

dao mal. Certo momento a mae dele vai falar com o prefeito (que tb é o

chefao dos mafiosos) tentar livrar a divida do filho , sugerindo que

ela podia morrer passava a casa pro filho e ele voltava pra russia.



-mas a senhora é jovem ainda tem muitos anos pra viver

-quantos?

o prefeito levanta e pega um livro. abre e diz com naturalidade

-sete

-e sera que nao tem jeito de trocar meu lugar na fila?

-mm talvez eu possa resolver isso

o prefeito pega um telefone vermelho e troca umas ideias com "a pessoa certa"

-esta acertado, voce toca com minha mae que estava pra morrer faz

tempo. Amanha ta bom pra voce?



Ha uma mulher no filme, enfermeira, que mantem uma relacao estranha

com o personagem principal. Um momento quando ela cuida de suas

feridas ele passa a mao na sua cintura. Ela se silencia e se esquiva

(ja houve outra cena antes onde ele tentou ser mais agressivo e ela

brigou e foi-se embora). Ela vai para um canto e no momento que

achamos que ela vai-se embora ela faz algo inesperado: solta o cabelo,

o gesto mais sensual que desponta em um filme duro desses. Entao, sem

esbocar reacao ela vai para um canto, e em uma fotografia

especialmente bonita, percebemos, somente por uma sombra palida em

cima dele e por sugestao de sons, que ela parece se despir. Ele nao

reage. No final, levanta-se, automatico e inexpressivo como ela e vai

ate ela. A luz, a cortina, as sombras, tornam a cena de uma

sensualidade interessante. O contexto, a inexpressividade, a

ambiguidade das intencoes e o machismo da sociedade tornam-a cruel.



Mas filtrando as minhas observacoes cretinas, é um filme gostoso e

bonito, se um tanto lento e fala de uma cultura de dificil acesso para

mim. Mas bonito sim.