Wednesday, April 20, 2005

há 5 anos



há 5 anos
eu era um garoto meio esquisitao, mas sonhador, artista, criativo e meio maluquinho que dizia que ia pra franca. Hoje estou me tornando um homem esquisito que vive em sonhos. recluso, mau comunicador, com ideias boas, mas somente para si.

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eu preciso
De mais musica em minha vida. Fazem 8 anos que eu desisti da gaita. Eu desisti da gaita por que nao sabia cantarolar nenhuma musica: cheguei a conclusao que precisava ter musica dentro da minha cabeca para poder coloca-la pra fora.

De resolver minha expressao. Esto me tornando cada vez mais gago, meu sotaque engracadinho uma lingua presa. Meu irmao me sugeriu um curso de teatro, um colega de trabalho uma fonoaudiologa. Preciso tomar conta desta postura deste físico. Nao consigo pensar rapido, responder direito, me sentir bem em um barzinho com desconhecidos com quem convivo.

De algo a me dedicar. Nao sou um musico, nao sou mais um grande desenhista, nao sou um grande photoshopeiro, nao sou um grande leiautista. Me dedicar: a animacao, a video, a um esporte. Aos meus amigos,

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A verdade é que nunca senti, em nenhum ambiente de trabalho por onde já passei, que eu fosse indispensável.

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nao posso mais viver nessa situacao. Onde nao considero a casa minha, o quarto meu, onde nao posso dizer nem me silenciar. O problema de onde moro nao é a casa, é que cada vez menos me sinto confortável com esse corpo

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preciso de ajuda.
céus, preciso de algo que nao sei o que é.
merda fazem 10 anos que eu preciso.
eles estao, lá do fundo da sala, me jogando bolinha de papel e me chamando de bicha.

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em momento algum eu consigo esvaziar minha cabeca. nenhum momento me sinto vazio. nenhum momento me sinto aliviado.
preciso me transgredir.
não, não desta forma. esse é o atalho, eu nao quero ele.
mas me amedronta, por que é esse sentimento que me toma, que me faz compreender por que as pessoas o fazem.

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Eu estou sempre postergando. Esse é meu maior pecado. Eu me crio barreiras que impedem que eu faca as coisas da maneira mais simples.
Tenho de fazer uma carta ao consulado. Resolvo fazer um super livro. Nao faco nenhum dos dois.
Quero fazer um website para um projeto. Entao vou montar um wiki depois eu faco o site.
Quero mexer mais com video. Deixo para quando eu morar sozinho e comprar um mac.
Tenho que ser um grande profissional, que ser bom. Jogo tudo para frente, para longe, para um país distante. Por que agora não é pra valer, mas voces vao ver depois.
Eu vou adiando ser eu mesmo. Quem eu sonho ser, eu joguei para lá longe, lá na frente eu serei. Eu posterguei a mim mesmo para a frança

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Agora eu preciso me encontrar. Deve ser isso que eu vou buscar em paris.

3 Comments:

Fernanda said...

a nossa geração tem esse grande buraco dentro de si por não conseguir fazer aquilo que a juventude foi inventada pra fazer: transgredir. ou, tipicamente, revolucionar: mudar o mundo. recriar conceito. derrubar barreira. você sempre pode inovar. você sempre pode se reinventar. mesmo que pareça que tudo já foi feito, tudo já foi contestado. mas quem garante que o que se quer é realmente inovar? afinal, o que se quer? uma casa, emprego fixo, uns amigos queridos espalhados no sofá da sala? uns diplomas na parede, homenages diversas, vários convites p/ palestras mundo afora? dar a volta ao mundo com tempo pra pôr a lupa em cada detalhe? quando se resolve querer tudo se consegue um pouquinho de nada... mais música é sempre bom. se expressar quase nunca é fácil. ser necessário é mole, indispensável toma mais tempo mas, com paciência, é inevitável.
mas o foco é o mais importante: descobrir o que se gosta. e mergulhar. isso é que é dedicação. agora, o corpo muitas vezes vira uma casa vazia. entre nascer e morrer o que se faz é mesmo buscar. o buraco é coletivo. e talvez ele nunca passe. e, no final de tudo, o que restou? o que importa?

11:40 AM  
Rodrigo Rego said...

Caríssimo,

ia pensar melhor no que escrever porque tá tudo aqui tao poético, até o comentário da Fernanda aí em cima, mas foda-se.

Nunca achei que voce tivesse esse tipo de pensamento meio pro lado do depressivo, pensava até que vc fosse um cara bem seguro de si. Pelo menos voce engana bem, e isso é o que vc pode fazer de melhor, porque o importante no final das contas é APARENTAR, e nao SER.

Pra vc se animar: várias faculdades aqui na europa, pelo que tenho visto, e provavelmente a "futura sua" tem alojamento pra estudantes que costumam ser bem baratos, o que te livra de dividir apartamento com essa galera das bandas da pederastia.

E ao menos já passamos da idade de tomar bolinha de papel na cara, embora chamar de bicha nego ainda deve fazer pelas costas.

Mande noticias!

12:20 PM  
Anonymous said...

Sangue de meu sangue afinal tu és...
Expressar-se é um bom começo. Indício de que afinal entre afundar com o peso no abismo e explodir em fumes de enxofre e lava, afinal a segunda não deve ser tão má idéia. Quem sabe assim até te escorra uma lágrima, e sentirá que o amargo também pode ser doce.
Venha conversar comigo. Mas eu aguardarei que puxes o assunto. Porque se temos uma geração em comum, compartilhamos ainda um pouco mais nós dois. E acredite, eu gastei boa parte de minha vida pensando nisso. Pelo menos te forneço alguns adjetivos novos...
Mas embora preocupante, há solução. E não é tão difícil quanto aceitar que por mais que tentemos sempre teremos alguma coisa que nos torna estranhos...
Um abraço fraterno.
Felipe

1:29 AM  

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